

É apenas mais um entre milhões de BLOGS não divulgados, destinados aos insones, viajantes (no bom sentido) e loucos
ASSUNTOS: Quaisquer. De sérios a engraçados. Crônicas, contos, charges, cartuns, HQ, foto-montagens, declarações de presidentes, ministros, artistas, enfim, qualquer coisa hilária, séria ou pseudo séria.
PERIODICIDADE: Semanal, talvez. Diário, vai ser difícil!
CONTRIBUIÇÕES: Claro! Se o infeliz insone cair por aqui...
MÚSICA DE FUNDO: INSÔNIA, lógico! Composta aqui mesmo no micro enquanto criava o blog. Quando eu souber como inserir o botão de desligar, juro que o faço.
OBS: Esse blog foi escrito com a resolução do monitor em 1024x768.

TEMA DE HOJE
[ Terça-feira, Outubro 17, 2006 ]
Dia do Professor
Sexta feira 13 à noite, após um feriado, enforcamento geral (no bom sentido), escola quase vazia, volto à cantina depois de um suculento meio sopão (que se diga de passagem hoje tinha muitos pedaços de vegetais com arestas ainda vivas) e peço um cafezinho. Horas antes havia incrementado mais um dx nos meus conhecimentos em conversa com dois renomados professores de física e um de mecânica.
Sozinho naquele salão, enquanto espero, faço algumas reflexões. Me surpreendo quando vejo entrar pela porta várias pessoas vestidas a caráter: Platão, Darcy Ribeiro, Esopo, Hans Christian Andersen, Piaget, Pestallozi, Paulo Freire, Anísio Teixeira, Irmã Dulce, Mãe Menininha, Ghandi, e até uma professora de sociologia que já havia se esmaecido no passado distante. Penso que seja alguma representação sobre a semana da cultura.
Também alguém representava uma santa que reconheci como Santa Tereza D¿Ávila. Mas como a auréola dela brilhava, desconfiei que eu estava em outra dimensão. Não me perguntem como pude identificar todos eles. Tive que fechar a porta da imaginação, pois já havia entrado personalidades que eu nem sabia quem era e a cantina não iria caber todos.
Mesmo com a porta fechada, atravessa por ela uma silhueta iluminada que eu imaginei ser o Mestre dos Mestres. Aí eu tive a certeza que estava viajando na maionese. Então Ele pede licença e se dirige ao grupo em uma língua que eu não sabia qual era, mas entendia:
- Em cada um de vocês e todos aqueles que os seguiram, ensinando com alegria algo de útil a alguém, reside a minha filosofia de vida.
Nesse momento volto, chamado que fui pela atendente, ex-professora de nutrição, para gentilmente, privando-me do restante da palestra, me fornecer o cafezinho:
- Pensativo ? Sabe que domingo próximo é o dia do Professor ?
- Oficialmente, pelo Decreto-lei de 1947, sim.
- ???
- Penso nos 210 mil professores brasileiros leigos, sem formação sequer do pedagógico ofertado no ensino médio, entregues à própria sorte, e que lutam contra tudo e todos para levar uma farpa de conhecimento a quem não tem nenhum.
- !!!
- No Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963, em seu Art.3, definia-se a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". Isso não acontece, em regra geral.
- !!!
- E olhe que a primeira comemoração se deu 120 anos depois do decreto original baixado por D. Pedro I onde dizia que "todas as cidades, vilas e lugarejos deveriam ter suas escolas de primeiras letras". Eu pergunto: onde se vê isso nesse Brazilzão de Meu Deus? Que é das pesquisas desse percentual (mesmo com vários pontos para mais ou para menos)?
- ???
- Por isso, respondendo a sua pergunta, e pegando um gancho nas palavras do Mestre (na minha viagem) e de John W. Schlatter, eu rendo as minhas homenagens a todos aqueles guerreiros que lutam diariamente contra todas as dificuldades para, com alegria, ensinar algo de útil a alguém, têm o passado rico dessas realizações, o presente desafiador onde prepara o futuro, e ainda agradece a Deus por isso, se achando um trabalhador afortunado.
Despedi-me agradecendo à minha paciente interlocutora.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[11:01 AM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quinta-feira, Setembro 28, 2006 ]
MODELO
Um aluno me encontrou um dia desses na cantina da escola e, entre um refrigerante e outro, me perguntou na lata:
- Professor, como o sr. define um modelo? Como sabe se funcionará?
Antes mesmo de me aprumar, refazer-me do susto e rebuscar definições, metáforas, etc., ele completou:
- Não gostaria de resposta técnico-científica ou poética, porque vou ficar boiando. Pra não dizer que lhe peguei de surpresa, pode me responder amanhã.
Confesso que ia pedir mesmo um tempo mas, olhando fixo a lata de refrigerante, me lembrei de uma história que li e contei para ele.
- Tá vendo essa lata de refrigerante?
- Ih! Lá vem o sr. com técnica de fabricação, estampagem, extrusão...
- Não é bem isso. Suponha que eu queira fazer o modelo de uma destas máquinas automáticas que servem refrigerante, suco, café, chocolate quente, etc., quando se coloca uma moeda. Uma espécie de Engenharia Reversa.
Posso imaginar ( e lembre-se sempre imaginar é fazer imagens) que dentro da mesma exista um anão que, ao receber a moeda, abre uma torneira e serve o refrigerante.
Vou submeter o meu modelo a um teste. Deixo a máquina desligada coloco a moeda e não é servido o refrigerante.
- Sei, e porque?
- A explicação é a seguinte: dentro da máquina está escuro, o anão não vê a moeda e deixa de servir o refrigerante. Se a máquina for ligada imediatamente, ao colocar a moeda ela volta a servir, pois então o anão volta a ver a moeda. Os testes que fiz permitem afirmar que é provável que o meu modelo esteja certo.
- Então basta apenas um teste?
- Provavelmente não. Vou fazer outro teste. Desligo a máquina por duas horas. Religo-a Coloco a moeda e imediatamente a máquina não serve a bebida. A máquina começa a trabalhar e, decorrido certo tempo, ao ser inserida uma moeda, o refrigerante é servido.
- Então descobriu a primeira falha.
- Negativo, há uma explicação: no interior inicialmente estava escuro, o anão dormiu e, por isso, ao ser ligada a máquina, ele não serviu logo o refrigerante. Após algum tempo, com o barulho da máquina, ele acordou e voltou a servir. Mais uma vez concluo que, provavelmente, o meu modelo está certo (sabe-se que na máquina existe um sensor de temperatura que não permite a saída de refrigerante quente, por isso que este não é servido logo ao religar-se).
- Ah! então é um modelo que funcionará com alguma restrição. Disse meu impaciente interlocutor.
- Calma ! Façamos um outro teste no meu modelo de máquina de servir refrigerante. Deixemos a máquina desligada e lacrada por vários dias.
Voltemos a ligá-la. Após algum tempo, ao ser colocada uma moeda, a máquina volta a servir refrigerante. O que você deduz disso?
E ele respondeu, na lata:
- Que esse modelo fracassaria, pois o anão já estaria morto ou teria acabado o estoque das diversas bebidas lá dentro.
- Exato ! Isso me leva a abandonar o meu modelo. Assim há a necessidade de se fazer um outro modelo de máquinas automáticas de servir refrigerantes que não tenham anões no seu interior.
No outro dia, depois de uma lida no assunto e, para complementar a informação do interessado aluno repassei para ele:
- Segundo Opter, S.L. "O modelo é a representação de um sistema, onde a meta da sua construção é obter uma representação fiel do mundo real ".
Complementei:
- Na linguagem jovem é fazer na real o que se faz na virtual.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[12:04 AM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Domingo, Junho 11, 2006 ]
O 11 DE JUNHO.
(Ronaldo Cavalcante)
O 11 DE JUNHO
Eu acho o 11 de junho uma das datas mais importantes do calendário militar. Essa importância não se prende apenas ao fato de ser essa data aquela em que se comemora a valorosa vitória do Almirante Barroso e sua fantástica esquadra, que derrotou a temível Marinha Paraguaia na memorável Batalha de Riachuelo em 1865, ao longo do rio Paraná, próximo à cidade de Corrientes (conquistada em 25 de maio) em território argentino. Há de se considerar nesse fato, dois importantes aspectos: coragem e uso de conhecimentos do passado.
No que se refere à coragem, independente das injustas difamações diplomáticas dos Washburn e Mac-Mahon da vida (desmascarados posteriormente em função de corrupção) a vitória em Riachuelo foi sim um ato de enorme coragem e determinação do Almirante Barroso.
Ora, com apenas duas Divisões Navais e o poder de mobilidade diminuído, pois os navios brasileiros eram de grande calado (impróprios para navegação fluvial), propôs-se a bloquear o rio para evitar a passagem da esquadra paraguaia. Esta era composta inicialmente de oito navios canhoneiros (inclusive o brasileiro Marques de Olinda aprisionado) rebocando mais seis chatas, com baterias de canhões cada uma, e a favor da correnteza, o que lhe dava maior velocidade.
Ou seja, eram 14 embarcações em alta velocidade, contra apenas 9 (Amazonas, Jequitinhonha, Parnaíba, Belmonte, Mearim, Beberibe, Iguatemi, Ipiranga e Araguari). Também foram surpreendidos sem mais da metade da tripulação, que estava em terra recolhendo lenha. Não daria mesmo para bloquear. Perdeu o Parnaíba na primeira investida dos navios paraguaio, que passou como faca quente em Manteiga por nossa esquadra e seguiu viagem tranqüilamente rumo a foz, para outras invasões.
Para certos comandantes, era mais uma batalha perdida. Mas para o Almirante Barroso não. Sua coragem fez com que se lançasse, mesmo com inferioridade numérica, em perseguição aos paraguaios (descendo o rio) cujo comandante bem o conhecia e o esperou no estreito de Riachuelo, o que obrigava aos navios brasileiros passarem rentes aos canhões posicionados nas margens. Aí é que foi o desastre total. O Belmonte foi atingido em cheio e o Jequitinhonha encalhou prejudicando toda a formação brasileira e criando a maior confusão para o restante da esquadra. Mas tarde seria a vez do Parnaíba ficar fora de combate, onde morreu heroicamente o famoso Marcílio Dias.
Agora restavam apenas quatro navios brasileiros totalmente envolvidos por mais de dez paraguaios, e apenas a fragata Amazonas, comandada pelo Almirante Barroso, que estava rio acima cobrindo a retaguarda para impedir a fuga do inimigo. Mais uma vez a coragem desse intrépido comandante se fez presente e, depois de içar a mensagem "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever", lançou-se sozinho contra toda a esquadra paraguaia, reduzindo-a, junto com seus comandados a apenas quatro navios que bateram em retirada.
Já no tocante a utilização de conhecimento do passado temos a considerar que os erros e acertos do passado servem para nortear o presente em qualquer setor da vida. Em caso de batalhas, muitas das modernas guerras têm como base estratégias anteriores, entretanto não são divulgadas a largo, talvez por vergonha. No caso civil do profissionalismo, evita-se usar o velho como fonte de experiência e portanto muito se perde de conhecimento ainda palpitante. É dito a ele que a partir dos sessenta não é mais possível produzir e o aposentam à força aos setenta. Esperemos que a nova lei dos setenta e cinco venha para ficar.
Mas voltando ao herói de Riachuelo, sua estratégia foi inspirada na antiga vitória do grego Temístocles na batalha de Salamina. O Almirante Barroso simplesmente jogou seu navio diretamente de proa sobre cada uma das embarcações inimigas, conseguindo colocar a pique nada menos que quatro deles, incluindo o brasileiro Marques de Olinda. Os outros foram combatidos pelo que restou da esquadra brasileira, também tomada de surpresa pelo exemplo de coragem, e a batalha foi vencida com a fuga dos quatros navios paraguaios restantes.
Daí então a grande importância dessa vitória em Riachuelo, principalmente para nós que nunca tivemos membrana entre os dedos dos pés (os nossos pés eram super rijos devidos as incessantes marchas) nem pés cor-de-burro-quando-foge (o nosso era preto reluzente e ameaçador - mas quem sou eu para falar de gosto por determinada cor, um simples ex-combatente da revolução anti-comunista...).
Ademais um "pé-preto" (como carinhosamente nos denominam os co-irmãos de Forças), nosso Patrono, é quem estava no Comando geral dessa e de outras batalhas.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[11:15 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Domingo, Abril 30, 2006 ]
Uma profecia de Nostradamus.
...e por falar em coelhinho que bota ovos de chocolate e os esconde, sapos
barbudos engolidos, feijões mágicos em microgravidade , vatapás e carurus
da Sexta Santa, a invasão da Terra pelos marcianos irradiada ao vivo, o
sexo da macaca chita encobrindo a boiolice do grito de Tarzan, a sensual
dança da pizza, e outras esquisitices da literatura especializada
traduzida (veja, isto é, etc.) aí vai mais uma pérola que li sobre as
PROFECIAS DE NOSTRADAMUS (um fragmento localizado recentemente em Dublin
enviado pelo jornalista Camilo Viana):
"(...) e próximo do terceiro ano do terceiro milênio uma besta barbuda
descerá triunfante sobre um condado do hemisfério sul espalhando a
desgraça e a miséria. Será reconhecido por não possuir seus membros
superiores totalmente completos. Trará com ele uma horda que dominará e
exterminará as aves bicudas de bem e implantará a barbárie por muitas
datas sobre um povo tolo e leviano..."
(Para quem quiser conferir, o livro de Nostradamus, editado pela Record,
intitula-se Visão das Trevas -- grandes catástrofes da humanidade e o
excerto acima referido abriga-se à página 102.)
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[2:16 AM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quarta-feira, Março 08, 2006 ]
DIA DA MULHER !
(Ronaldo Cavalcante)
ser mulher
estranha
secreta, segredo
manha
terra onde ninguém pisa
mãe obediente
sacerdotisa
filha mandona
irmã arqui-amiga
amante inimiga
riso madona
esposa confiável
trabalhadora incansável
heroína flexível
leoa temível
bela estivadora
atleta vaidosa
delicada
delegada
È...
um ser estranho
entretanto,
não conseguiria viver
ou me ver sem ela
Nesse dia
(mesmo naqueles )
respeito e apreço
Parabéns !!!
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[9:10 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006 ]
Qual Loucos.
(Ronaldo Cavalcante)
Acredito que só mudaremos o mundo quando pensarmos como os loucos.
Os desajustados.
Os rebeldes.
Os problemáticos.
Os inquietos.
Eles vêem as coisas diferente de nós (nós quem?)
Não aceitam regras.
Não se importam com o "status quo".
Evacuam e seguem para tudo
Pode-se fazer o que quiser com eles
Descrê-los
Despreza-los
Desmenti-los
Desmistifica-los
A única coisa que não se pode
É ignorá-los
Pois eles mudam tudo.
Inventam.
Imaginam.
Instigam.
Induzem.
Intervêm
Inspiram.
Para ensinar algo à raça humana há de ser louco
Quem mais olharia uma tela vazia e veria arte?
Quem se quedaria no silêncio absoluto e ouviria música?
Quem cortaria a própria orelha para presentear um amigo?
Quem entregaria o Filho de Deus para protegê-Lo?
Quem se mataria para provar uma teoria?
Nós damos as ferramentas para eles
Aonde muitos vêm loucura nós (nós quem?) vemos genialidade
Pois aqueles que são espertos bastante para pensar
Mudam o estado de coisas
E esses são os loucos !
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[1:58 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Sexta-feira, Dezembro 23, 2005 ]
O que é NATAL?
(Ronaldo F. Cavalcante)
É um sentimento, uma comemoração, uma festa da cristandade herdada da antiga igreja, um jogo de interesses comerciais ou uma basófia? É realmente o tempo onde os pensamentos se elevam a Cristo e os homens se ajudam mutuamente e às crianças? Para mim, só duas alegrias: o nascimento de Cristo e de Robson Emanuel, meu terceiro filho de uma longa linha de sucessão.
Vinícius, Drummond, Bandeira, Pessoa, Maria Paranhos, e João Cabral, com toda sua magnitude literária e proficiência do saber humano, poetizando (vide rodapé), também não fazem do Natal uma unanimidade, um consenso sobre ser o mesmo cerne de todos os pensamentos voltados para o amor ao próximo (exceto o próximo bem próximo, e olhe lá).
Drummond me parece demonstrar que o inventivo João Brandão dizia que esta era uma época tão perigosa e de pensamentos negros quanto qualquer outra. O melhor seria suprimir o Natal, ou ainda, comemorá-lo em épocas incertas, sem aviso prévio, no maior silêncio.
Eu particularmente concordo com João mas por motivos diferentes. Não pelo perigo de ser assaltado, seqüestrado, etc., pois senão ter-se-ia que suprimir todas as festas do ano novo ao São João. Mas pelo fato de que essa é uma época de opulência, demonstração de poderio econômico. Fazem-se disputas de melhores presentes, melhor iluminação, maiores presépios (até com a cara de Bush, imaginem! ), cidades mais comemorativas, programações de cinema e televisão. Panetones jorram que nem água em cachoeira vendendo mais que ovos de páscoa e são dados na maioria das vezes a quem não precisa, como todos os brindes dessa época do ano. Ontem tive a oportunidade de ver pela TV que uma pessoa teria recebido mais de 30 panetones (na casa dele até o cachorro teria se deliciado da iguaria). Em suma, bilhões em dinheiro jogado pelo ralo por uma satisfação pessoal.
Entretanto, nas estatísticas do IBGE não aparece o percentual de indivíduos ativos, empregados, saudáveis ou não, empresas de pequeno médio e grande porte, governantes autoridades, políticos, igrejas, congregações, seitas, grandes conglomerados (mesmo do ramo de alimentação) que estão envolvidos ou desejam se envolver com a erradicação da miséria e fome no mundo. Ou no seu país. Ou no seu estado. Ou na sua cidade. Ou no seu bairro. Ou pelo menos na sua rua.
Dir-lhes-ei porque não aparecem: Simplesmente porque seria um número tão insignificante que não abalaria nenhuma curva de função representativa de tal estudo. As ordenadas se rastejariam de vergonha no eixo das abscissas e seriam tão imperceptíveis que não haveria nada para se mostrar em congressos, seminários e palestras.
Então eu pergunto: para quem se importa verdadeiramente, de que vale ver tantas belezas e tanto dinheiro jogado fora quando o mundo está doente e faminto? Quando hoje, no dia de Natal, na sua rua, no seu bairro, na sua cidade, no seu estado, no seu país tem crianças (para quem é festejado o Natal) e adultos revirando latas de lixo e morrendo de fome e frio na mais absurda penúria?
Afinal, Cristo estava exatamente escondido para não ser vítima da maldade do mundo, logo que nasceu. E na noite em que o mundo diz comemorar esse nascimento, ele não participa dessa festa, pois está visitando cada fugitivo da miséria, da fome e do frio que ainda luta pela sobrevivência.
Então, fecho com o João. Deveríamos comemorar o Natal em silêncio, (ou pelo menos diminuir a fanfarra) em épocas incertas, sem aviso prévio, todavia, canalizar os bilhões em recursos que seriam queimados na festividade oficial, para um verdadeiro programa de minimização da miséria no planeta (não confundir com fome-zero). A começar pela sua rua, seu bairro, sua cidade seu estado e seu país.
E se você dorme tranqüilo com tudo isso, então só me resta lhe desejar um feliz Natal !
*************************************************
Pout-Pourri Natalino
***********************
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos ¿
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos ¿
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai ¿
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte ¿
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
*************************
Natal.
O sino longe toca fino,
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o Deus Menino
As beatas foram ver,
Encontraram o coitadinho
(Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.
As beatas ajoelharam
E adoraram o Deus nuzinho
Mas a filhas das beatas
E os namorados das filhas,
Mas as filhas das beatas
Foram dançar black-bottom
Nos clubes sem presépio.
***********************************
O nosso menino
Nasceu em Belém
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino,
Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino
********************
Chove. É dia de Natal.
Lá para o norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez.
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
************************************
Pois que reinaugurando essa criança
Pensam os homens
Reinaugurar a sua vida
E começar novo caderno,
Fresco como o pão do dia;
Pois que nestes dias a aventura
Parece em ponto de vôo, e parece
Que vão enfim poder
Explodir suas sementes:
Que desta vez não perca esse caderno
Sua atração núbil para o dente;
Que o entusiasmo conserve vivas
Suas molas,
E possa enfim o ferro
Comer a ferrugem
O sim comer o não.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[2:11 AM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Domingo, Dezembro 04, 2005 ]
Afinal, quem foi esse Zé ?
O mineiro José Dirceu de Oliveira e Silva tinha 19 anos por ocasião da Revolução de 1964. Nessa época, era estudante secundarista na cidade de São Paulo e já participava do movimento estudantil, filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).Dois anos depois, já universitário, José Dirceu estava totalmente impregnado pelas idéias radicais de seu líder no PCB, Carlos Marighella, e o acompanhara na denominada "Corrente Revolucionária", criada dentro do partidão a fim de defender a luta armada. No final desse ano de 1966, ingressou na "Ala Marighella", tranformada, um ano depois, no Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP).
- Em 1968, José Dirceu exercitava sua liderança como presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) insuflando os jovens a pegarem em armas, nem que fossem uns contra os outros. Foi assim que, no início de outubro, constituiu-se num dos líderes do conflito no qual se envolveram, na Rua Maria Antonia, cerca de um mil estudantes universitários da Faculdade de Filosofia da USP e do Mackenzie. Armados de correntes, porretes, revólveres e coquetéis molotov, os estudantes digladiaram-se numa verdadeira guerra campal, finda a qual um estudante morto (baleado na cabeça), dez outros feridos e cinco carros oficiais incendiados atestavam a virulência do ocorrido.Entretanto, a prisão de José Dirceu - então mais conhecido como "Daniel"
- Em 12 Out 68, durante a realização do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, impediu que ele prosseguisse nas suas estrepolias.Além da UEE/SP, quem mais sentiu a sua prisão foi a "Maçã Dourada", jovem plantada junto dele pelo DOPS, para colher informações.Ainda na prisão, acompanhou a transformação do AC/SP na Ação Libertadora Nacional (ALN).
- Em 05 Set 69, menos de um ano após sua prisão, foi um dos 15 militantes comunistas banidos para o México, em troca da vida do embaixador dos EUA, que havia sido seqüestrado no dia anterior, no Rio de Janeiro, pela ALN e pelo MR-8.Do México, "Daniel" seguiu para Cuba, onde, durante o ano de 1970, a partir de maio, participou de um Curso de Guerrilhas, no denominado "III Exército da ALN" ou "Grupo da Ilha" ou, ainda, "Grupo Primavera". Esse grupo, sentindo-se órfão com a morte de Marighella, rachou com a ALN (os divergentes passaram a ser conhecidos como o "Grupo dos 28"), dando origem à Dissidência da ALN (DI/ALN), mais tarde transformada no Movimento de Libertação Popular (MOLIPO).O MOLIPO foi uma organização de curta e triste história. A maioria do "Grupo dos 28" regressou ao Brasil, a fim de exercitar seu treinamento de ações terroristas. Entretanto, logo após chegarem ao país, os militantes foram caindo um a um, como peças de um dominó, cujo "armador", dizem, está vivo até hoje.
No total, José Dirceu permaneceu em Cuba durante 18 meses quando teria feito uma operação plástica nos olhos e no nariz, para voltar ao Brasil com segurança. Apesar dessa operação não ter sido confirmada - muitos dizem ser uma mentira deslavada -, José Dirceu só voltou ao Brasil em Abr 75, quando a luta armada já havia terminado.
Com o falso nome de "Carlos Henrique Gouveia de Mello", radicou-se em Cruzeiro d'Oeste, no Paraná, onde casou-se com uma ricaça da região, com quem teve um filho.No final de 79, regressou a Cuba, dizem que para retificar a antiga operação plástica (??).Depois de ter uma filha com uma portuguesa e ter mais uma filha em um relacionamento desconhecido, José Dirceu casou-se pela terceira vez, agora com sua atual mulher.
-Durante sua gestão na Casa Civil, em 2005, surgiram várias crises de corrupção como o Caso Waldomiro (Auxiliar direto de Dirceu) e "Mensalão" (compra de Deputados para votarem com o governo e /ou mudar de sigla partidária.
-Denunciado pelo Pres. do PTB Roberto Jefferson, como chefe do esquema de corrupção na compra de votos de parlamentares, juntamente com líderes do PT (Genuino, Delubio ,Marcelo Sereno e Silvio Pereira ) e o empresário Valério (Publicitário).
-Ex-Ministro Chefe da Casa Civil cuja função se viu forçado a pedir demissão. Está diretamente envolvido na corrupção da manipulação de verbas federais em favor de um projeto de tomada do poder pelo PT.
Voltou a ser Deputado Federal e finalmente foi caçado, acuado e cassado na Comissão de Ética da Câmara.
Como personagem central dos vários escândalos foi e ainda vai ser ouvido nas CPI dos Correios, Mensalão e Bingos ( esta , seu secretário Waldomiro Diniz, foi flagrado extorquindo um bicheiro)
Só mesmo o Franklin Martins, ex-companheiro de guerrilhas em Cuba, hoje comentarista político da TV Globo, ex-militante do temível MR-8 e amigo de fé do Zé, é que poderia elogiar seu discurso de siri na lata no conselho de Ética da Câmara dos Deputados em 3 de agosto deste ano.
O Meliante Zé, metido a guerrilheiro, só comandou alguma ação terrorista mesmo tendo como testa de ferro a "Maçã Dourada" sua acompanhante e agente disfarçada doDOPS. Com o crime de falsidade ideológica nas costas devido às falsa identidades ( incluindo Pedro Caroço), residente em Cruzeiro D´Oeste de 1975 a 1979 , amigo do Presidente Lula, ex-Chefe da Casa Civil, surdo, cego e mudo quando convém, e bom de bico quando lhe apraz, como afiançou Franklin Martins em seu comentário de 03/08/2005, sobre a caricata figura do depoente no Conselho de Ética, num dos sites da Globo: "Eficiente depoente".
"O depoimento do deputado José Dirceu foi muito bom. Ele foi veemente quando deveria ser, indignado quando precisava ser indignado. E, ao mesmo tempo, não passou do ponto. Foi um bom depoimento. Bem balanceado".
E sabem qual era o apelido de Franklin Martins nos maus tempos de fora-da-lei ? "LULA". Sem nenhuma referência ao Presidente... Mas que é engraçado, lá isso é !
Com esse dossiê, dá pra acreditar que o Zé é um pobre coitado que foi injustiçado ???
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[8:02 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Sábado, Novembro 26, 2005 ]
Pânico no Jornalismo
Na coluna LSP do jornal Comunique-se, essa semana, discutiu-se a simulação que o Pânico na TV fez com a ascensão de um rato de laboratório através de balões com gás hélio. Tudo foi explicado detalhadamente pela diretora Rosana Herman e não passava de um truque. E as pessoas que assistem regularmente sabiam disso. Mas gerou a maior polêmica. Saíram duas notas no Jornal Folha de São Paulo dando conta de um ranking da baixaria onde o Pânico ocupava o primeiro lugar.
Deu de tudo. Foi criada uma comunidade no Orkut com a finalidade de boicotar o programa e indicá-lo no tal ranking. Teve ONG se manifestando, Deputado representando, entidades protetoras protestando e jornalistas debatendo. Pasmem: foi criada até a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para combater os desvios éticos na TV. Isso também não é humor escrachado ?
Uma verdadeira discussão sobre o sexo dos anjos entabulada por expressões do jornalismo. Queixas e mais queixas para diversos programas diurnos de TV. E a querida Rosana devia estar rolando no chão de tanto rir. É com diz o paulista: péraí meu!
O Pânico faz o trabalho a que se propôs, que é o humor escrachado, debochado e na maioria das vezes inteligente.
Exagera um pouco, como tudo que está chamando a atenção, no topo de uma lista de qualquer cor. Se Rosana manerar no jeito como os "repórteres""Sílvio e Vesgo abordam as pessoas e evitar algumas frases ridículas e desmoralizantes que eles usam, o programa fica cem por cento. O humor inteligente precisa voltar ao convívio dos telespectadores.
E daí que seja baixaria? É só para rir mesmo. Me divirto muito e, sem dúvida nenhuma, é muito melhor que o Zorra Total. Se olharem bem o Casseta e Planeta vão ver coisas bem piores que a simulação de um vôo de uma simples cobaia de laboratório. Se tivessem acesso à esses laboratórios onde tais cobaias são "trabalhadas" com certeza teriam um ataque cardíaco. Entretanto ninguém faz um movimento semelhante.
Gostaria que essa pseudo preocupação com o ratinho, que está lá numa boa, bem alimentado e abrigado, fosse dirigida às nossas crianças de rua, e todo esse estardalhaço servisse para fazer com que as autoridades os olhasse. Hiláriante mesmo é ver o redator de uma revista de saúde censurando erro de digitação em uma dessas mensagens e logo em seguida usando seu bom senso com C. Talvez revista de saúde nada tenha com a língua, ou tem? E com a gramática?
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[11:10 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Sábado, Novembro 19, 2005 ]
Divina Explicação
(Ronaldo F. Cavalcante)
- As vezes Eu com Minha infinita paciência
Imagino até quando terei que responder
Às mesmas indagações:
- " Por que me fizeste negro ?
Se negro é cor de roupa suja,
Asfalto onde se pisa,
Olho contundido
Mãos encardidas,
Sujeira,
Escuridão.
Se negro é o medo que consome a mente,
A morte que procura uma vítima,
O mundo dos criminosos,
Os olhos de uma pessoa cega,
A chama de guerra,
O fim do dia."
- " Por que tenho lábios grossos,
Cabelos crespos,
Nariz largo,
Ossos espessos,
Bochechas altas,
Quadris grandes."
- " Por que Você me criou
Sabendo que muitos teriam contra mim
Olhares curiosos e reprovadores,
Ódios inexplicáveis,
A identidade do inútil
A facilidade de ser usado
A fragilidade para ser abusado
A culpa até prova em contrário
(e as vezes não basta)."
-" Por que Você não refaz a Criação,
Não iguala todo o mundo,
Não uniformiza as mentes,
Ou então determina:
- Já que os muitos pensam diferente,
De agora em diante,
O negro vai ser gente ? "
- EM VERDADE EU LHE DIGO:
Por que Lhe fiz Negro ?
Dobre seus joelhos e
Reflita
Eu o criei semelhante a Mim
Não o fiz a imagem da escuridão
O negro da sua cor
É a mesma do carvão
Que forma os mais perfeitos diamantes
Do óleo que mantém e aquece
Seus semelhantes
Do majestoso e preto garanhão
Da terra rica e escura
Que cultiva a comida da nação.
Você é a cor de céu de meia-noite.
E Eu pus o resplendor das estrelas em seus olhos
Seu cabelo tem textura da lã do cordeiro,
De cuja criatura vem sua humildade
E Eu sou o Pastor que o assiste.
O único acima de você.
Há um sorriso escondido atrás de sua dor.
Por isso suas bochechas são tão altas.
Você é a cor de nuvens escuras formada,
quando envio Meu temporal.
Seus lábios cheios beijarão
A quem você ama
Com tal paixão
Que jamais esquecerão
E sua voz? Sua força? Sua fertilidade?
Quem para Mim canta mais bonito,
Mais tempo resiste para Me servir
E me dá mais filhos do que você ?
Seu osso espesso e estrutura forte
O faz resistir os fardos do tempo
E a precocidade morte.
No início, todas as cores do arco-íris
Estavam misturadas
E você se tornou a MINHA MAIOR CRIAÇÃO
DE VOCÊ EU FIZ O RESTO DA HUMANIDADE
Olhe-se na superfície de um límpido lago
A imagem que verá lhe fitando
É A MINHA !
************************************************
Hoje é o dia da consciência negra e esta é uma singela homenagen a esses bravos guerreiros.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[10:22 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Sábado, Novembro 12, 2005 ]
Cordel (antropofágico) da Morena
Alguns acham a loura um broto
porém não vejo razão,
muitos por whisky são loucos,
da pinga não abro mão.
Querer uma loura é pouco
e eu, que não estou morto,
tenho a morena como paixão.
Sempre fingindo não ver,
olhar de inocência maliciosa
que lhe faz enrubescer
o rosto redondo de tez mimosa,
nunca querendo dizer
aquilo que quer fazer
sua boca brilhante e sedosa
Cabelo comprido ou não,
escorrendo qual cachoeira,
mocotó grosso e fina mão
cheirosa como uma roseira,
vestido justo e vermelhão,
com uma flor entre os seios então
mata qualquer um de canseira
Com um rebolado que faz gosto,
chega até a desconsertar.
Que perco a cabeça, é posto
quando penso em lhe beijar.
Beijo uma loura só no rosto
para não lhe dar desgosto
e na morena, onde ela deixar.
E o beijo da morena mulher
eu peço com alvoroço,
no lugar onde ela quiser
sem cartilagem nem osso,
para quando velho estiver
em uma noite qualquer,
lembrar de quando era moço
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[11:35 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quarta-feira, Novembro 02, 2005 ]
O Tempo
Há tempos que não te vejo!
Quanto tempo...
É, o tempo passa
e a vida continua...
ou não passa?
Dobson tinha razão
"Nós é que passamos"
Em 1921 ele se foi
E o tempo ficou
muita polêmica causando;
passando ou não passando?
Se passa, voa;
se não passa, pára.
Não existe meio termo,
com a verdade se depara:
Suficiente nunca o temos
É mensurável?
Depende;
para a mãe ansiosa
o quanto se alonga nove meses?
E para aquele à morte condenado,
quão rápido trinta anos terá passado?
Está diminuindo ou aumentando
nosso tempo?
Depende do padrão;
Se este for os primórdios do tempo,
Diminuindo;
em se tratando do tempo próximo passado,
aumentando.
De polêmica definição,
desde Newton com o absolutismo,
velocidade infinita, instantânea propagação,
até de Einstein o relativismo .
Em função da Terra,
tempo solar maior,
tempo anomalístico e
tempo sideral menor.
Sucessão de momentos,
duração das coisas,
período, época ,
atmosférico estado,
ensejo, ocasião, compasso
ação, estado, fenômeno.
Tempo de salga, de semear,
tempo de colher, tempo de cruza,
tempo pra rir, tempo pra chorar.
Tempo remoto enfim
tempo de arraia, de pião, de gude,
tempo dos Afonsinhos (esse é do tempo do onça)
tempo quente, tempo bom, tempo ruim.
Penso matar o tempo
mas ele não morre.
Tento fechar o tempo,
só fecha quando ele quer.
Tempo é dinheiro, se discorre,
mas só pára mesmo se estamos
nos braços de uma linda mulher.
Por horas a fio (que é tempo) ficaria,
e do cansaço me desprenderia
para o tempo declinar,
e do fim dos tempos discordar.
Sem falar de derivados então:
temporal, temporão
temporário, temporização .
Porém já tendo ultrapassado
o que me foi estabelecido,
do final da sala ecoou
a voz do professor aborrecido:
- Estudante, SEU TEMPO ACABOU !
********************************
OBS
Quando queremos disfarçar algo, falamos do tempo. Pois é, esse post, falando do tempo, é para me redimir com minha amiga
Seaprincess e disfarçar a situação vexatória no parque, envolvendo palmeiras e turistas japonesas..(vide post anterior). Acontece que minha amiga estava, coincidentemente, apresentado esse blog para duas colegas (talvez nipônicas) e deu de cara com aquele escrito feito sem pretensões literárias mas apenas uma narração de situação real.
O post não foi retirado porque recebi um e-mail assinado apenas como "as nisseis" pedindo para deixar como está e ao mesmo tempo solicitando fotos do elemento causador do distúrbio, apenas para uma pesquisa de pós-graduação quando do retorno delas à terra do sol poente. Claro que não enviei tais fotos, mas deixei o texto.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[9:10 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Terça-feira, Novembro 01, 2005 ]
Perguntas e respostas
Existem respostas que você nunca terá na vida. Quer um exemplo?
Estava eu com meu aquilo na mão regando a palmeira de um parque, devidamente escondido e certo de não estar sendo observado, quando de repente, durante o desnecessário ritual para evitar a última gota nas vestes, surgem duas turistas japonesas como que saídas do nada.
Disse uma para a outra (possivelmente a intérprete):
- Glande, non ?
Nem deram oportunidade para me desculpar ou fazer alguma pergunta, pois saíram correndo. Agora vocês imaginem a situação: eu tentando colocar o elemento de volta à prisão; ele já meio animado por ter sido visto pelas japonesas, dificultando o processo; as pobres nipônicas correndo assuastadas enquanto eu corria atrás tentando me explicar.... Foi um caos total.
Então abateu-se sobre mim uma dúvida atroz: o que a moça disse teria sido um elogio sobre aquilo que a modéstia me impede de descrever, foi uma gozação, uma aula de anatomia humana ou um simples treino do português ?
Pois essa é um tipo de resposta que nunca terei. Preferi ficar então com a primeira opção, sem muito regozijo pois, em se tratando de japonesas, qualquer dimensão é maior do que aquelas que elas estão acostumadas a observar em sua terra natal.
Entretanto, existem respostas que você terá antes mesmo de concluída a pergunta. Quer um exemplo?
No seu próximo improviso, o supremo mandatário vai tropeçar na língua ?
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[2:13 AM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Sábado, Outubro 22, 2005 ]
Chumbinho X Decibéis
Não levo o menor jeito para contador de causos. Entretanto, a pedido de minha amiga Seaprincess, vou relatar um desses acontecidos que mais parece piada do que um causo verídico. Ademais, posso usar como uma continuação (mais uma ! ) do tema sobre o referendo do desarmamento, porquanto acontecendo a vitória do sim (vade retro! ), esse causo só poderá ser repassado na clandestinidade.
Todos sabemos da lei do silêncio ( uma das tais que não pegam, e oxalá a do sim também não pegue, em caso da nossa derrota). Ela prevê um nível de aproximadamente 70 dB em campo aberto e 50 dB em recinto fechado, isso em valores aproximados. Existe até uma tabela informando sobre os possíves prejuízos quando da exposição a fontes sonoras de grande potência, a saber:
55 db distúrbios do sono
70 db limite do considerado seguro e distúrbios no aprendizado
75 db irritação e desconforto
80 db aumento dos batimentos cardíacos e descarga de adrenalina no organismo e hipertensão
90 db danos ao sistema auditivo
110 db danos permanentes à audição
140 db limite da audição
Pois bem, estava eu no sacrossanto recesso do meu lar, no terraço (um puxadim tipo balcão), numa sexta à noite, degustando o meu churrasquinho entregue pelo moto-boy da Cat Delivery, vindo do restaurante-estrela Miau Company, quando um cidadão estaciona seu carro em frente à minha porta, e resolve abrir a mala do carro (não era uma mala e sim um container) a fim de mostrar para a pretendida namorada o seu potente som (acho que de potente só tinha mesmo o som, porque ela não se ligou muito nele).
Se tratava de um amplificador Kenwood de 5.000 W pmpo com suas quatro bocas de 15", dois drivers médio tipo corneta e 08 tweeters selenium de 1000 w cada um. Como deu pra ver tudo isso? Estava escrito em letras garrafais a neon com fundo preto e cones dos falantes exageradamente brancos concêntricos a protetores de bobina vermelhões. Um autêntico alvo (ops, contei o fim da estória. Eu disse que não era bom contador de causo).
Acontece que o cidadão não se contenta em mostrar a super aparelhagem, e resolve ligar o bruto justo com um cd de axé a quase todo o volume:
- ...e vai descendo, e vai descendo, e vai descendo.....
- ... e vai subindo, e vai subindo, e vai subindo, mainha....
Depois de quinze minutos subindo e descendo, não aguentei. Ora, eu trabalho também com eletrônica e por acaso tenho um medidor de intensidade sonora no meu carro. Peguei o dito cujo e medi com seu microfone um ruido de mais de 75 dB dentro de casa. Fui falar com o cidadão, medindo nas proximidades do seu carro a marca de aproximadamente 100 dB.
Tentei explicar-lhe, depois de elogiar o equipamento de ponta, que aquilo não era direito, e que eu estava com minha mãe idosa adoentada, etc., etc.
Mas o rapaz, do alto dos seus metro e oitenta, no vigor dos vinte e poucos anos e malhado, apenas me falou:
- Toma um remédio pra dormir meu tio, e vai deitar. Com esse microfone o sr. sabe o que fazer.
Aí me ofendeu mais que o axé. Pegou pesado! Pensei em usar as minhas prerrogativas de funcionário público e ligar para os colegas virem prender o equipamento, carro e tudo. Mas não seria legal, pois se tratava de vingança, até porque ele poderia desligar o aparelho e voltar mais tarde, altas horas. Então um pensamento sinistro me ocorreu.
Peguei minha espingarda de chumbinho, dessas de tiro ao alvo nas feiras, fui para meu micro terraço e, aproveitando que a luz estava desligada, comecei a atirar na direção de um daqueles enormes alvos-falantes de boca vermelha e branca. Nem precisava fazer pontaria porque em quinze polegadas era como pescar de bomba em aquário. Uma barbada.
Não mais que dez minutos, depois de uma sequência de um tiro por minuto, um estrondo se ouviu até no bairro vizinho. Era o potente amplificador despejando seus cinco mil watts em um alto falante com seu cone em frangalhos. E quanto mais demorava de desligar, mais o estrago aumentava. Imaginem aí o ponto alto do filme Terremoto em surround-sound, misturado com uma cobertura de hipermercado se rasgando ao meio. Sem contar o som das rajadas de várias AKs.
Foi um santo remédio. O cara, depois de chutar o carro e gritar que tinha dado 25 mil reais por aquela porcaria, deligou o som, fechou o container e saiu cantando pneu. Nem se despediu da ex-futura amada.
Então, quando um colega me perguntou se sabia de um remédio para dormir sob uma intensa zoada, eu de imediato:
- Chumbinho !

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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[7:44 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quarta-feira, Outubro 12, 2005 ]
Arma-te Sézamo !
Não gosto de continuar tema de post passado porém, com relação a esse, não pude deixar de comentar algo mais, por que vivi uma experiência na questão de se proteger através de arma. E por outro lado, como os leitores antigos já abandonaram seus respectivos blogs e não fiz novos convites, quase niguém verá esses escritos, o que me deixa mais à vontade para comentar, para mim, ela, a madrugada, e os viajantes de passagem por aqui.
É engraçado toda essa celeuma em torno do referendum, provando mais uma vez que a máquina governamental faz o que quer e passa por cima de qualquer opinião com um rolo compressor. O governo nem sempre esteve certo, e mesmo quando eu era militar, não dizia amém a toda posição tomada por ele, e foi esse um dos motivos que me fez desistir da farda.
Mas afinal, pra que serve esse tal de referendo? A lei proibindo o porte de arma já existe de há muito. Portar a arma é crime, entretanto transportar e mantê-las em local seguro não é. Quem não obedece são os criminosos (esses não obedecem lei nenhuma), as pessoas que se sentem ameaçadas por ter alguma posse ou prejudicadas fisicamente, e aqueles que querem defender seu patrimônio quer seja grande ou pequeno e o direito de viver no seu lar em paz.
Eu, em uma de minhas muitas histórias de vida, me safei por tres vezes de elementos perigosos (dois assaltantes e um grupo de desordeiros) porque estava armado, e empunhei a dita cuja, e puxei o gatilho, e atirei para o chão, assustando os meliantes. Mas poderia não estar contando essa história hoje, porque na primeira situação, eu fui cercado por tres malhados marginais em fim de festa, querendo tomar meus pertences e me trucidar. Eu, prejudicado verticalmente, estava com uma cagona (garrucha antiga tipo dois tiro e uma carreira) e a usei atirando para baixo assustando os valentes lutadores.
Na segunda ocasião, detectei um ladrão dentro da minha garagem, tentando roubar o carro. Porém esse portava uma faca tipo peixeira, com a qual tentava destravar a porta do fusquinha 63. Não saí, com receio de que houvessem outros ladrões, e então gritei, ameaçando atirar. Ele não acreditou e veio na direção de onde saia a voz. Ato contínuo, mandei bala para o chão. O ladrão atleta pulou o muro de mais de 2 m. de altura sem tocar no mesmo.
Já na terceira vez, outra casa, outro ladrão, dessa vez no quintal, foi visto tentando roubar minha moto. Só que eu não tinha mais arma de respeito, e sim uma passarinheira de cartucho que não funcionava há tempos. E sem cartucho. Então tive que usar a psicologia e, aproveitando que ele estava abaixado do lado de fora sob a janela do meu quarto, falei baixinho para alguém ir buscar a arma (a tal espingarda).
- Pega a arma lá no armário. (sussurando)
- Qual arma ?
- O rifle. Tô vendo a cabeça dele aqui abaixado. Vou pipocar ela. Toma a chave e não faça barulho. (ruído de chaves)
- Toma, não atira na cabeça não ! Atira nas pernas e agente chama a polícia amanhã. (ruído de pessoa arfando)
- Não, vou atirar na cabeça pra não perder o couro. (click de armar a passarinheira)
Não deu outra, o ladrão saiu em disparada, esquecendo até as sandálias havaianas.
Não é nada, não é nada, mas é um testemunho de quem vai votar não. E não é só por esses fatos acontecidos comigo, mas também porque se o sim ganhar (eu disse SE! ), os políticos e governantes que lançaram esse absurdo refendo, CONTINUARÃO protegidos com seus carros blindados, seus seguranças e suas ARMAS ! E porque as estatísticas do programa do sim são todas furadas. E porque os bandidos não irão saber se eu estou ou não armado. E porque prefiro morrer tentando sobreviver do que me entregar como uma pato de tiro-ao-alvo. E porque os milhões de judeus que foram vítimas do nazismo, tinham sido desarmados previamente. Assim como na antiga Rússia. E no Iraque.
Não bastaria uma medida provisória, que geralmente vira lei, transformando o uso de arma em contravenção, sem todo esse alarde? E como o governo não liga para contraventores, que o diga os donos de banca de bicho, de cassino, de bingo e das rinhas de galo.... Ah, por falar em contravenção e rinha, me lembrei agora do motivo de toda essa balbúdia !!!
DUDA "GALO" MENDONÇA E SEUS VALÉRIODUTOS INTERNACIONAIS ! Os grandes marqueteiros e beneficiados por toda essa bilionária campanha. Sem falar, é claro, dos quarenta ladrões. Porque sobre o Ali-Babá, ainda pairam algumas dúvidas (espero).
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[2:26 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quinta-feira, Outubro 06, 2005 ]
Srs. ladrões, assaltantes e filiados:
Meu voto é não!
(Só aqui entre nós, porque se essa informação vazar, eu nego! Vamos ver em quem os "home" vai acreditar.)
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[11:12 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quarta-feira, Setembro 21, 2005 ]
Dionisíaco Baile
(Ronaldo Fonseca Cavalcante)
Não percebi
o molhado monte,
como se Vênus
estivesse a se banhar
em um lago do Olimpo.
Também não percebi
o pulsar
quase quasar
da esferóide
no vértice superior
labial,
dissonante
e descompassado
da canção.
Perceber, pelo menos,
deveria: as contrações
e estremecimentos
em que a tensão escoava
e havia uma relaxação
no gerador de pulsos,
devido à proximidade
necessária à execução
de cada difícil
evolução.
Perceberia, se atentasse
para aquele embaçamento de íris
onde as loucas meninas,
em movimentos frenéticos,
tentavam saltar dos globos.
Ou ainda se sentisse
minha jugular quase a se rasgar
num premer de unhas,
como se um vampiro
preparasse um desfecho final
do sorvo de todo o meu sangue.
Como um galante tolo,
utilizava a técnica
da mordida de lábios,
na inútil e cavalheiresca tentativa
de evitar o volume
que se me aumentava nos baixos.
Enquanto os baixos
no baixo, em minha mente,
soavam como explosões
de granadas dilacerando corpos.
Qual idiota recruta
que se preocupa
em não errar o passo,
mantinha a mente
ocupada com o metrônomo:
dois pra lá...
De posse da deusa do baile,
indiferente ao seu rubor facial,
continuei dançando
e ela,
gos(t)ando...
No último acorde,
contente com a performance
e distraído, nem sequer a beijei.
Só então percebi...
As dores agudas
nas vulcânicas partes
que ardorosamente ansiavam
expelir as flamejantes lavas,
só me deixavam a alternativa
do covarde gesto solitário
em que, na teatral fantasia,
tinha como apoteótica cena,
um dionisíaco baile.
Então,
ao som de gritos e gemidos
das desnudas coadjuvantes de Baco,
danceeeeeiiiiii!!!
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[1:11 AM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Segunda-feira, Setembro 12, 2005 ]
Conjunção
(Ronaldo Fonseca Cavalcante)
É ela,
um dos amores (o mais complexo)
que já tive
e de quem nunca falei.
É para ela
que sempre volto
e porque, só eu sei.
Através dela
é que consigo enxergar
o gráfico das mais complexas funções
emersas durante meu viajar.
No dorso dela,
sem que sinta,
escrevo os impublicáveis textos
e os versos mais queridos
com idelével tinta,
para só então aqui traduzi-los,
onde à lê-los, a ninguém convido.
Só ela,
não grita, não esperneia,
não provoca, não se queixa.
Para me servir obstinada,
qual linda gueixa,
nada diz quando não digo nada.
Apenas ela,
responde prosáica e antecipadamente,
concluindo a minha menor intenção
em externar uma sílaba da mente.
E sempre sussurra de volta,
se minha respiração mais forte sente,
em forma de suave brisa sobre Sinrix
como se o próprio Pan solasse assim:
"...você consegue, sempre conseguiu"
"...não há de ser nada, acoste-se a mim"
Meu pinho soa mavioso
aos seus ouvidos.
Às minhas canções, aplaude
com suaves gemidos.
Meus extensos escritos,
por ela, são ávidamente lidos.
E quando ela delicadamente
pousa sobre mim
seu corpo desnudo,
permitindo-me ver mais nítido
(ainda que sonolento e mudo)
sua constelação tatuada
como se fora um lençol da mais pura seda
em prata bordada,
é que acordo mais uma vez para a vida
e num alento me conformo.
É para ela,
devotada,
que sempre volto
nessa conjunção espiritualizada:
A minha passiva Madrugada.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[6:52 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quinta-feira, Agosto 25, 2005 ]
Subserviência
(Ronaldo Fonseca Cavalcante)
Eu já mencionei, em um dos meus poucos textos, ter interpretado e refletido sobre o fato de Rousseau ter dito, em outras palavras, que o homem vive para satisfazer seus superiores. E quando disse que "o homem nasce bom, mas a civilização o corrompe", eu acho que talvez exista aí uma ligação com o que escreveu Aristóteles em Política, onde o homem é um animal na sua essência político e sociável. O próprio J.J. sucumbiu ao seu pensamento; basta ler a introdução do seu discurso sobre a desigualdade na academia de Dijon. Embora não seja ele termômetro de caráter, ética, racionalidade e procedimento, influenciou, na qualidade de gênio emocional, a evolução social da humanidade como grande filósofo.
A subserviência talvez venha do fato de ser o homem um indivíduo que depende de outros para tudo na vida: nascer, crescer, educar-se, formar opinião e atingir seus objetivos (também influenciados por outros). Inicia sua sociabilidade na família, estendendo-se para outras dimensões até culminar nessa famigerada globalização onde, através do poder da mídia, ele pode ter contato com todo tipo de civilização, invadindo-a, chocando-se com aquilo que se desconhecia ou sendo influenciado por ela.
Muitas vezes confundido com puxa-saquismo, a subserviência deriva do medo. Medo de alguma coisa. Principalmente do medo de perder alguma coisa. Em segunda estância teríamos o comodismo ou uma vontade de permanecer na situação atual, caso aceite determinadas imposições numa boa (que não passa de uma derivação do medo), é o que se pode ver em uma parte do discurso de Rousseau. "O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes:¿ Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém! ".
Quando sabemos uma pessoa superior, e aí não importa a definição de superioridade (pode ser chefe, comandante, político, intelectual e, o mais falso dos superiores assimilado pela maioria dos brasileiros que é o estrangeiro, principalmente argentino e americano do norte) a nossa tendência imediata é a de participar de uma cerimônia de lava-pés mesmo com prejuízo material, físico, financeiro ou moral.
Em quantas repartições, setores e locais de trabalho se ouve falar mal dos chefes e imediatamente, na sua presença, são modificadas essas opiniões? Quantas pessoas se sentem prejudicadas por outras (tendo ou não razão) e, se estas são superiores, abanam o rabo com uma simples tapinha nas costas ou um bom-dia festivo?
Não vou mencionar o que acontece atualmente na política brasileira, no emaranhado de corrupções e no que acontece nas altas esferas, para dar uma força à minha tese, porque nunca esgotaria o assunto. E nem pensar em falar das relações Brasil-Estados Unidos, Brasil-Europa ou coisa que o valha, porque aí já é covardia. Vou falar apenas de um exemplo prático na esfera da classe chamada média baixa versus personalidades.
Estava eu numa rua da minha cidade (Salvador-BA), degustando essa famosa iguaria que é o acarajé recém tirado da frigideira por uma dessas baianas comuns que se encontra em toda esquina, quando de repente deparei-me com uma turba acompanhando um certo político influente na esfera federal e seu staff (formados por deputados, vereadores e outros bichos estranhos). Pude observar que estavam inspecionando alguma dessas obras que liga o nada a coisa nenhuma, chamado ironicamente de transporte de massas. Logicamente o mais graduado não resistiu ao aroma do quitute e interrompeu a visita para experimentá-lo. No que foi seguido por outros deputados, não me causando nenhuma estranheza.
Após a breve pausa e sem antes mesmo do político (ou de algum boca-livre) esboçar ao menos um gesto de saldar a dívida com a baiana, esta saltou logo dizendo:
'é por conta da casa doutor". Curioso, resolvi acompanhar o séqüito quando, poucos minutos mais tarde , sentindo o efeito da pimenta, eles pararam num barzinho (barzinho mesmo, desses de ovo colorido cozido no dia anterior que ainda teimava em permanecer na estufa de vidro desligada) para tomar refrigerante.
Não é que aconteceu o mesmo com o dono do bar, um sexagenário que ainda se achou bafejado pela sorte quando os magnatas pararam no seu "estabelecimento" ?. E ainda teve a generosidade de oferecer uma rodada de cafezinho da engordurada garrafa térmica que estava sobre o balcão rodeada por alguns copos convencionais de cachaça. Se eu dissesse que um dos caras-de-pau ainda tomou o tal café, mesmo fazendo careta, alguém acreditaria?
Aí, sim; eu estranhei e fiquei até indignado. Como poderia uma mulher que vive do seu trabalho de comércio, dispensar o pagamento de várias unidades do seu produto para pessoas que poderiam e deveriam (se tivessem vergonha) pagar bem mais pelo mesmo?
Não me contive. Perguntei ao dono do bar e à baiana do acarajé (depois de tentar sem sucesso ser agraciado pela mesma oferta dos políticos) qual a razão do procedimento deles. Foram praticamente unânimes na resposta: ficaram com receio de cobrar pelos produtos e algum daqueles puxa-sacos de plantão marcarem eles para uma visita oficial de fiscalização. E ainda por cima os concorrentes ficariam com inveja deles por ter servido a tão significativas personalidades (e olhe que eles nem sabiam de quem se tratava). Então cheguei à conclusão de que o medo de alguma coisa é a causa principal da subserviência da humanidade ou do homem querer sempre agradar seus superiores, com teria dito J.J.Rousseau.
Então fica a dúvida: seria subserviência o medo que nosso presidente sente de se pronunciar e se posicionar ante tamanha degradação social e moral que assola o nosso pequeno grande país ?
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[5:59 PM] orlandofonseca_@hotmail.com

TEMA DE HOJE
[ Quinta-feira, Agosto 11, 2005 ]
Feliz aniversário, filho
(Ronaldo Fonseca Cavalcante)
Pois é, meu garoto!
Hoje que completas mais uma ano de vida,
Hoje justo, nessa justa hora,
Início de tua terceira década,
Início do terceiro milênio.
E é mais um longo ano
Que não mandas notícias.
Quantos? perdi as contas.
Nem sabes quanto tens de irmãos,
Nem sabes se ainda estou vivo,
Nem sabes da saúde dos teus.
Mas sei que estás bem;
É o que importa.
Pois és um militar !
E um soldado é superior ao tempo.
Um soldado não sente dor
Não sente frio
Nem calafrio
O sépia de tua rígida tez
confundindo-se com o castanho
Da engomada veste,
Perfilado ante o portão da caserna,
Nem de longe lembra
Aquele doce olhar
De um menino
Que queria mudar o mundo.
Mas tu não és um soldado comum.
És um soldado muito diferente
Divisa no braço e na mente
Tão imponente
Que falta dos pais
Não sente.
Mesmo assim,
Que Deus te abençôe
E não permita
Que nisto,
teus filhos
Te imitem.
Feliz Aniversário !
Teu velho.
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Orlando & DigoLenon&Ronaldo[1:06 AM] orlandofonseca_@hotmail.com