BLOGUEIO, LOGO EXISTO.


É apenas mais um entre milhões de BLOGS não divulgados, destinados aos insones, viajantes (no bom sentido) e loucos

ASSUNTOS: Quaisquer. De sérios a engraçados. Crônicas, contos, charges, cartuns, HQ, foto-montagens, declarações de presidentes, ministros, artistas, enfim, qualquer coisa hilária, séria ou pseudo séria.

PERIODICIDADE: Semanal, talvez. Diário, vai ser difícil!

CONTRIBUIÇÕES: Claro! Se o infeliz insone cair por aqui...


MÚSICA DE FUNDO: INSÔNIA, lógico! Composta aqui mesmo no micro enquanto criava o blog. Quando eu souber como inserir o botão de desligar, juro que o faço.


OBS: Esse blog foi escrito com a resolução do monitor em 1024x768.


TEMA DE HOJE


[ Quarta-feira, Setembro 21, 2005 ]

 

Dionisíaco Baile


(Ronaldo Fonseca Cavalcante)






Não percebi
o molhado monte,
como se Vênus
estivesse a se banhar
em um lago do Olimpo.

Também não percebi
o pulsar
quase quasar
da esferóide
no vértice superior
labial,
dissonante
e descompassado
da canção.

Perceber, pelo menos,
deveria: as contrações
e estremecimentos
em que a tensão escoava
e havia uma relaxação
no gerador de pulsos,
devido à proximidade
necessária à execução
de cada difícil
evolução.

Perceberia, se atentasse
para aquele embaçamento de íris
onde as loucas meninas,
em movimentos frenéticos,
tentavam saltar dos globos.

Ou ainda se sentisse
minha jugular quase a se rasgar
num premer de unhas,
como se um vampiro
preparasse um desfecho final
do sorvo de todo o meu sangue.

Como um galante tolo,
utilizava a técnica
da mordida de lábios,
na inútil e cavalheiresca tentativa
de evitar o volume
que se me aumentava nos baixos.

Enquanto os baixos
no baixo, em minha mente,
soavam como explosões
de granadas dilacerando corpos.

Qual idiota recruta
que se preocupa
em não errar o passo,
mantinha a mente
ocupada com o metrônomo:
dois pra lá...

De posse da deusa do baile,
indiferente ao seu rubor facial,
continuei dançando
e ela,
gos(t)ando...

No último acorde,
contente com a performance
e distraído, nem sequer a beijei.

Só então percebi...

As dores agudas
nas vulcânicas partes
que ardorosamente ansiavam
expelir as flamejantes lavas,
só me deixavam a alternativa
do covarde gesto solitário
em que, na teatral fantasia,
tinha como apoteótica cena,
um dionisíaco baile.

Então,
ao som de gritos e gemidos
das desnudas coadjuvantes de Baco,
danceeeeeiiiiii!!!





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Orlando & DigoLenon[1:11 AM] orlandofonseca_@hotmail.com


TEMA DE HOJE


[ Segunda-feira, Setembro 12, 2005 ]

 

Conjunção


(Ronaldo Fonseca Cavalcante)






É ela,
um dos amores (o mais complexo)
que já tive
e de quem nunca falei.

É para ela
que sempre volto
e porque, só eu sei.

Através dela
é que consigo enxergar
o gráfico das mais complexas funções
emersas durante meu viajar.

No dorso dela,
sem que sinta,
escrevo os impublicáveis textos
e os versos mais queridos
com idelével tinta,
para só então aqui traduzi-los,
onde à lê-los, a ninguém convido.

Só ela,
não grita, não esperneia,
não provoca, não se queixa.
Para me servir obstinada,
qual linda gueixa,
nada diz quando não digo nada.

Apenas ela,
responde prosáica e antecipadamente,
concluindo a minha menor intenção
em externar uma sílaba da mente.
E sempre sussurra de volta,
se minha respiração mais forte sente,
em forma de suave brisa sobre Sinrix
como se o próprio Pan solasse assim:
"...você consegue, sempre conseguiu"
"...não há de ser nada, acoste-se a mim"

Meu pinho soa mavioso
aos seus ouvidos.
Às minhas canções, aplaude
com suaves gemidos.
Meus extensos escritos,
por ela, são ávidamente lidos.

E quando ela delicadamente
pousa sobre mim
seu corpo desnudo,
permitindo-me ver mais nítido
(ainda que sonolento e mudo)
sua constelação tatuada
como se fora um lençol da mais pura seda
em prata bordada,
é que acordo mais uma vez para a vida
e num alento me conformo.

É para ela,
devotada,
que sempre volto
nessa conjunção espiritualizada:
A minha passiva Madrugada.









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Orlando & DigoLenon[6:52 PM] orlandofonseca_@hotmail.com